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Tecnologia solar

Por que medimos o sol por 24 meses antes de projetar uma usina

Dados de satélite existem e são bons. Mas uma usina de centenas de megawatts precisa de medição no local, por tempo suficiente para separar o ano típico do ano atípico.

Equipe Brenergy · 4 de agosto de 2026 · 3 min de leitura

Existem bases de dados de irradiação solar para qualquer ponto do Brasil, derivadas de satélite e reanálise. Elas são úteis para a prospecção: dizem onde vale a pena olhar. Mas nenhum banco financia centenas de megawatts com base em estimativa remota. Para transformar um terreno em usina, é preciso medir o sol no local. E medir por tempo suficiente.

Na Brenergy, esse tempo é de no mínimo 24 meses por projeto.

O que a torre mede

A torre solarimétrica é uma estação meteorológica dedicada ao recurso solar. Ela registra, a cada minuto, as variáveis que definem quanto uma usina vai gerar:

VariávelInstrumentoPor que importa
Irradiação global horizontal (GHI)PiranômetroBase da estimativa de geração
Irradiação direta e difusaPiranômetro sombreado ou pireliômetroDefine o ganho do tracker
Temperatura do arTermo-higrômetroMódulo quente gera menos
Umidade relativaTermo-higrômetroAfeta sujidade e degradação
Velocidade e direção do ventoAnemômetro e birutaProjeto estrutural e posição de segurança do tracker
ChuvaPluviômetroLimpeza natural dos módulos

Os sensores são calibrados, o datalogger guarda tudo com redundância e os dados são tratados conforme as exigências da EPE, a Empresa de Pesquisa Energética, que é quem habilita projetos para os leilões e referencia o padrão do setor.

Estação solarimétrica da Brenergy instalada em campo: piranômetro no topo, anemômetro no braço lateral, módulo fotovoltaico e caixa do datalogger
Estação solarimétrica da Brenergy em campo: piranômetro, anemômetro, termo-higrômetro e datalogger alimentados por módulo próprio.

24meses

Medição mínima por projeto Brenergy, com dados tratados no padrão exigido pela EPE.

Por que dois anos, e não um

Um ano de medição cobre as quatro estações. Parece suficiente, mas não é. O recurso solar varia de ano para ano: um ano com mais nebulosidade, um El Niño, uma estação chuvosa mais longa. Com um único ano, não há como saber se o que foi medido é o normal ou a exceção.

Com dois anos, começa a ser possível comparar. E, mais importante, correlacionar a medição local com séries longas de satélite e de estações vizinhas, em um procedimento chamado MCP (medir, correlacionar, prever). O resultado é uma série de longo prazo ajustada ao local, que é o que o modelo de geração vai usar.

Do dado ao P50 e ao P90

A estimativa de geração de uma usina é apresentada em probabilidades. O P50 é o valor que se espera superar em metade dos anos. O P90 é o valor que se espera superar em nove de cada dez anos, o número conservador que bancos e investidores usam para dimensionar a dívida.

A distância entre P50 e P90 é a incerteza. Ela soma várias parcelas: a precisão dos sensores, a variabilidade entre anos, a qualidade da correlação com o longo prazo, as perdas do sistema. Medição local bem-feita e longa reduz as duas primeiras, e isso aproxima o P90 do P50.

O que isso muda para quem investe

Uma usina com P90 mais alto financia mais, a um custo menor. Os dois anos de torre não são um custo do projeto; são o que torna o projeto financiável. Por isso a Brenergy instala a torre logo depois de confirmar a viabilidade do território, em paralelo ao licenciamento, e não deixa para depois.

É também por isso que a medição aparece em cada conversa com investidor: antes de falar de módulos, trackers ou preço de energia, a pergunta certa é quanto sol faz ali, medido por quanto tempo.

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